quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

As pessoas nas ruas, invadindo casas, matando os dominadores, fazendo a grande mudança. Quem já não assistiu a filmes, viu fotos de Lenin pregando a revolução bochevique e Stalin assumindo o comando da URSS anos após a revolução de outubro de 1917? De lá pra cá são 92 anos de derrotas de Marx, o mundo se transformou num grande império neoliberal chefiado pelos EUA. Comprei um celular novo há 3 dias, porque o meu levara um tombo e se espatifara no chão, e estava lá: Made in China. Nem Mao imaginou tal coisa quando assumiu o poder naquele país asiático. Mudanças vêm, mudanças vão, mas o que muda é o comando pessoal, porque a estrutura continua a mesma: dominadores e dominados. Quem acha que esse mundo vai mudar pelo comportamento das pessoas,  por serem mais cidadãs ou por serem eco-éticas estão ledamente enganados.  Desde os “achamentos ultramarinos” de Portugal, até as conquistas por guerras e invasões, haverá sempre uma elite mandante e um proletariado que obedece. A terra é de ninguém, diz a utopia sociológica, mas o capital já tem dono, diz a realidade mórbida em que se apresenta o mundo. Países que já detiveram comando político internacional hoje definham lamentavelmente no concerto das nações. A fome, o terrorismo, o tráfico, o lixo que imigram de outros países para nossos aeroportos continuam aí, sem uma solução. Há dois dias vi uma reportagem num canal de TV – acho que no SBT – sobre o crescimento do alcoolismo na Rússia. Nessa reportagem, Putin mostrava-se muito preocupado porque os casos de cirrose hepática estavam ganhando números alarmantes e o governo estava com problemas em mudar esse quadro. No final da reportagem, um homem sai de um bar completamente embriagado, cambaleante, quase caindo em meio a uma rua coberta de neve. São tempos inenarráveis. Explicar isso é como explicar por que o “pássaro na gaiola quando não canta por agrado, canta desesperado.”
Caminhar a esmo. Guardar meus sonhos. Escutar os pássaros e mirar o eterno. Como se fosse ontem, o hoje prossegue sempre revelando mistérios, corrigindo rumos, descendo a noite no dia que acaba. Penso desesperadamente em ti. Minha respiração fala teu nome, minha boca sente os teus lábios. Faz uma brisa que invade minha sala e perpassa meus cabelos. Tua lembrança é que preenche meus dedos ao escrever este texto de saudade. Vou deslizando o indicador pelo teclado. Recordo-me da máquina de datilografia que tinha. Quanto papel rodou pelo rolo daquela Remington. Quantos contos foram para a lixeira. Quantas ideias foram sepultadas. Mas minha mente sabe de todas elas. Eu descartei o que datilografei, mas, em meus sonhos de poeta, o que restou foi sendo calcado, mesclando novos rumos, construindo novas utopias, com dores de parto para dar luz a ti neste artigo  incompleto.