sexta-feira, 6 de março de 2015


De novo retomo a escrita, minha profissão. Acessando o site http://www.amazon.com.br  o leitor vai poder ler o meu e-book mais recente. Chama-se "Eu vi a revolução". Você poderá baixá-lo grátis ou comprá-lo. Se você não tem a plataforma Kindle, a Amazon permite que você possa baixá-la gratuitamente para o seu Smartphone. Sobre novidade, estou escrevendo uma paródia sobre Esopo. A seguir publico o conto com o qual participei do XVI Concurso de Contos da Fundação Petros:


EM ALGUM LUGAR DO FUTURO, numa cartilha de “ses”
(conto participante do XIV Concurso de Contos da Fundação Petrobras (PETROS), onde foi contemplado com o 5º lugar)

            Tanto se fala em tristeza. Tanto se fala em maldade. Tanto lamento. Tanto choro. Se Manoel não voltou pra casa. Se Helena prostrou-se em pranto. Se há muitas crianças abandonadas. Se há assaltos todos os dias. Se carros são roubados nas vias expressas. Se Joana deu o beiço nas Casas Bahia. Se a marolinha da crise já chegou ao Brasil. Se a poupança dos coitadinhos vai até 50 mil. Se o imposto de renda vai diminuir para os apaniguados. Se a CPI da Petrobras quer levar adiante os fatos da delação premiada que o diretor não revelou. Se a gripe suína mudou de nome e até já não se fala mais nela. Se o Vasco ainda é time grande e está meio encrencado na série B. Se Zé Rodrix foi para a nuvem depois de deixar sua casa no campo. Se já não ouço mais música boa nas rádios e  o Sistema Globo continua o mesmo, dominando até o início dos jogos de futebol. Se Rubinho pretende voltar  para passar um apagador em sua história e escrever no quadro de seus sonhos que irá  de melhor em melhor.  Se Hamilton, provável futuro campeão da fórmula I, estará dirigindo um mustang cor de sangue daqui a alguns anos. Se o leite estará pela casa dos dez reais, contaminado por etanol, salitre e enxofre. Se Obama está dando um jeitinho “a la Bush” na política imperialista dos EUA, a caminho de uma nova etapa armamentista. Se Lula cada vez interfere na política e se sente o salvador eterno do país. Se o presidente Maduro cada vez mais invoca Chávez, como um Bolívar que se fez carne nele, para resolver os problemas da Venezuela. Se o choque de ordem não chega à Avenida Brasil e seus arredores. Se os prefeitos da Baixada Fluminense vestissem uma camisa de time grande e se irmanassem, e utilizassem seus orçamentos em proveito da população que ali está e que sofre por não ter emprego e é obrigada a descer para o centro do Rio para poder trabalhar.   Se Benedita da Silva aparece nos cartazes de sua campanha com a foto de quando tinha 18 anos, querendo ser uma cara nova na disputa eleitoral.  Se a Jandira Feghali sumiu para sempre. Se as rádios tupi e a globo ainda têm a hora da ave-maria. Se um vizinho acha que todos os outros vizinhos gostam de Funk e acelera o volume de seu som estridente. Se o outro vizinho é torcedor fanático do Flamengo e se julga no direito de mandar todos os jogadores que erram passes para a puta que pariu, sendo ouvido em todos os apartamentos do andar aonde mora. Se o pingo do ar-condicionado do meu vizinho de cima sempre cai sobre o meu aparelho, numa louca marcação de compasso. Se esqueço às vezes de um nome de alguém que viveu quando eu era criança, mas não tenho mais a quem perguntar por que todos os meus familiares já se foram. Se eu pudesse saber realmente se Mozart morreu como no filme Amadeus. Se Chaplin pudesse, de repente, surgir na Rua do Ouvidor e proferir de novo o último discurso do judeu travestido em Hitler. Se os cinemas fechados pelo dono da Record, Sr. Macedo,  pudessem abrir de novo com um festival de Oscarito e Grande Otelo. Se a extinta Mesbla, de repente, como num sonho, pudesse voltar a  funcionar no Passeio do mesmo modo e com a mesma graça. Se os desejos dos injustiçados pudessem ser realizados.  Se ela, sem saber, cruzasse meu caminho de novo. Se o futuro não fosse apenas mais um conto, uma experiência cheia de fé e de esperança,  porém, uma ideia descabida que invade minha mente e se reflete no imaginário do tempo, que lançou para sempre a suave incerteza de viver sem olhar atrás.  




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